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texto de mulherzinha
Tenho uma amiga (perdona-me, Julya Picheco) que anda tão apaixonada e tão cheia de histórias maravilhosas de filmes americanos em que tudo é intenso e acaba bem, que tem me enjoado. Não que eu não ache lindo e adore ver ela feliz de quase explodir, não. Ela merece isso, muito. Demais. O que me irrita e me enjoa é o fato de alguém estar apaixonado me irritar e me enjoar. Entende? Ando tão cética e centrada e tão de cara com o amor que qualquer gesto um pouquinho mais doce – não em relação a amigos, isso é sempre lindo e não me causa nenhum embrulho no estômago – em relação a outra pessoa que vá além de amizade, me incomoda. Digo que me incomoda pra não dizer que me emociona e que eu fico pensando quando isso vai vir pra mim, se é que um dia virá. Quem me conhece sabe que eu tenho essa urgência pelo amor, por algo que faça meu coração bater mais forte e de borboletas na barriga. Eu quero, eu quero, eu quero. Mas já vivi tanta coisa e já vi tantos relacionamentos, que eu achei que seriam eternos, acabarem que eu já nem sei mais no que acredito. Como se tudo fosse, enfim, momentâneo e apenas momentâneo e que fosse impossível que durasse muito além daquilo. E esse MEU pensamento me deixa muito chateada comigo mesmo. Seguidamente repito que tenho medo de me tornar amarga. Isso acontecendo não é um passo para amargura? Não acreditar num amor pra mim e se enjoar com tanto mel nos outros, não é rigidez? Meu Deus, será que eu já tou me tornando aquelas velhas mal resolvidas amorosamente que vão ter muitos gatos e viver sozinhas, falando mal dos homens e com medo de se envolver e se entregar? Por favor, me livre disso.
Mas daí penso que eu tou sendo paranóica. Que tou assim porque por agora não tenho quem ligar pra dar boa noite, nem quem deite comigo pra me fazer cafuné até dormir. Porque sinto falta e tento bancar que não sinto. Bem mulherzinha mesmo. Veio aqui bancar que sou tri avessa a essa coisa toda de paixonite e que me dá asco tanto amor. Mentira, mentira. A verdade é que queria pra mim algo parecido. Essa história de cinema aí, de não ser nem almas gêmeas, ser uma alma só. Vai dizer que não é de se invejar? Inveja branca, amiga. Mas vai dizer: tem como não querer isso pra ti? É algo eu se procura durante a vida toda e talvez ainda outras vidas e elas encontraram aos 19 anos. Vai dizer: não é TÃO LINDO que chega a dar asco?
Mas daí penso que se escrevo esse texto com lágrimas nos olhos é que já não sou tão fria assim. Se eu paro no meio dos restaurantes pra ficar olhando casais de 50 anos se olhando, sorrindo, brincando e vendo os olhos brilharem de amor – como brilham os da Ju – é porque não sou uma causa tão perdida assim. Talvez o amor não esteja pro meu bico agora. Mas uma hora ele vai vir.
Amém.